Dou a volta ao quarteirão e sento-me num local diferente, tentando virar o meu corpo noutra direcção.
Volto a folhear o mesmo livro, esperando que as palavras tenham um outro significado.
Repito a música que já me acompanhou em tantas alturas de anseio. De dúvida, ou de conflitos internos...
Mas não consigo.
Chamar-me-ão de incosciente. Apelidam-me de irracional e sonhador. Um irrealista, que tenta interpretar sonhos e convertê-los naquilo que todos os dias vê. E sabe. Ele pergunta-se se será este eterno sonho aquilo que o motiva e o leva a seguir em frente, ignorando as barreiras, evitando pensar nos desafios. Mesmo sabendo que a maior das vontades e a mais poderosa índole não conseguem mudar tudo.
Mas ele ouve esta esperança enraizada dentro dele desde sempre. Ele não consegue virar o seu norte e almejar pela 2ª melhor solução. Ele repudia qualquer remendo. Ele sente uma afronta à sua essência não seguir o seu íntimo. Por mais que possa tentar desacelerar. Por mais que, em alturas de muita dúvida, ele tenha sequer ponderado parar. Deixar de acreditar. Ignorar o sentido de esperança.
Ele não consegue. Ele não quer.